Dinheiro invisível e consumo consciente para crianças: por que ficou mais difícil ensinar responsabilidade financeira?

Eu nunca vivi aquela cena clássica de criança esperneando no supermercado,
querendo comprar algo caro, desnecessário, ou que simplesmente não encaixava no orçamento. Nunca!

Minhas filhas mal sabiam ler e escrever, mas já tinham em casa um caderninho onde anotavam, de lápis mesmo, o que tinham de dinheiro. Tipo aquelas cadernetas antigas de armarinho. Gradualmente, a gente foi trazendo mais “sofisticação”: começou com dinheiro de verdade, depois passei a pagar coisas do meu bolso e tirar da “caderneta” delas, até que chegamos num ponto em que cada uma tem seu próprio cartão de débito — desde os 7 anos.

Por que estou contando tudo isso?

Porque na semana passada minha filha de 9 anos e uma amiguinha queriam fazer um bolo, mas não tinha ovo em casa. As duas desceram ao mercadinho do prédio. E quando minha filha tirou o cartão dela para pagar, a amiguinha pediu para incluir um sorvete na conta — “Já que o cartão pagava tudo!”.

Minha filha respondeu que não. Que o cartão dela usava o dinheiro que era dela.
Quando ela me contou isso à noite, fiquei pensando no quanto o dinheiro se tornou invisível. E no quanto isso afeta o jeito que crianças (e adultos também) entendem o que é consumo, responsabilidade e escolha.

Mas não foi culpa da amiguinha. Claro que não! O que aconteceu ali foi só um sinal claro da importância de começarmos cedo — e, muitas vezes, de começarmos do jeito mais simples possível: com lápis e papel.

Eu sempre digo que ninguém joga uma criança na piscina esperando que ela saiba nadar.

A gente começa com aula de natação. Com boia. Com o pé na borda.
Com confiança e entendimento construídos aos poucos.
Com dinheiro é a mesma coisa. Não dá para entregar um cartão de débito e esperar que a criança saiba lidar com isso, se nunca teve contato com o valor do dinheiro de forma prática. É um aprendizado que começa devagar, com autonomia guiada e espaço pra errar.
E por isso, mais do que nunca, precisamos falar sobre consumo consciente para crianças.

O dinheiro sumiu das mãos

A revolução digital mudou tudo. O dinheiro virou número, virou aplicativo. Saiu da nossa frente e foi parar dentro do celular.

Hoje, quase 9 em cada 10 adolescentes de 15 anos — 86%, segundo a OCDE — dizem já ter comprado algo online. No Brasil, onde mais de 38 milhões de crianças e adolescentes têm entre 5 e 17 anos, isso é uma realidade cada vez mais comum.

Comprar virou deslizar o dedo. E com isso, ficou mais difícil entender que comprar também é decidir. E que cada decisão envolve escolhas, prioridades — e limites.

Se é parcelado, não dói?

A nova onda do compre agora, pague depois parece mágica. Você pode comprar o tênis hoje e pagar mês que vem.

Só que isso vem com um preço: o de não sentir a dor de gastar.

Pesquisas apontam (mostram) que 35% dos jovens adultos nem reconhecem isso como dívida. Acham que, se ainda não pagaram, não estão devendo. Um raciocínio perigoso quando não vem acompanhado de uma boa conversa em casa sobre o que é, de fato, “ter dinheiro”.

O consumo começa cedo

Um estudo sueco apontou que 1 em cada 4 crianças entre 7 e 10 anos já se considera “interessada em compras”.

E aqui, num Brasil hiper conectado, com vídeos, unboxings e influenciadores mirins, não é difícil imaginar essa tendência.

Elas aprendem a clicar antes de entender o que significa pagar. Por isso, ensinar consumo consciente para crianças é mais do que necessário — é urgente.

O que a história do ovo e do sorvete ensina?

Aquela conversa entre minha filha e a amiga no mercadinho não era só sobre sorvete. Era sobre autonomia. Sobre aprender que o dinheiro não é infinito. Que o cartão não “paga tudo”.

E que, mesmo sendo invisível, o dinheiro continua sendo real.

Na Nara, a gente acredita que dá pra ensinar tudo isso de um jeito leve.
Começando com o que faz sentido no dia a dia: um passeio, uma compra, um erro.
E principalmente, com espaço para a criança sentir que também pode aprender, experimentar, tentar de novo.

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